Arte - 1170x250 - 1 CONFEA

Santana de Parnaíba entra na mira de operação contra esquema de lavagem de quase R$ 1 bilhão ligado ao PCC

Ação da Polícia Civil também ocorre em cidades da Baixada Santista e do ABC; Justiça determinou prisões, bloqueio de valores e sequestro de 29 imóveis relacionados aos investigados

Santana de Parnaíba está entre os municípios que receberam diligências da Polícia Civil nesta quinta-feira (3), durante uma grande operação que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo é suspeito de ter movimentado valores próximos de R$ 1 bilhão, principalmente recursos que, segundo a investigação, teriam origem no tráfico de drogas.

A chamada Operação Helmintos é conduzida pelo Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 6 (Deinter 6) e também teve ações em Praia Grande, Guarujá e Santo André.

Em Santana de Parnaíba, um mandado foi cumprido, mas a Polícia Civil não informou até o momento o endereço da diligência, quem estaria relacionado ao imóvel ou se alguma das propriedades bloqueadas judicialmente está localizada na cidade.

A investigação permanece sob sigilo.

Grupo teria utilizado imóveis e empresas para movimentar dinheiro

Segundo a Polícia Civil, a estrutura investigada seria formada por pessoas com suposta ligação com a organização criminosa, operadores responsáveis pela movimentação financeira, intermediários do setor imobiliário e pessoas que teriam emprestado os próprios nomes para registrar bens e negócios.

A suspeita é de que empresas, imóveis e estabelecimentos comerciais fossem utilizados para dar aparência legal ao dinheiro obtido por meio de atividades criminosas.

Parte dos recursos também teria circulado através da compra, venda e administração de propriedades, incluindo imóveis considerados de alto padrão.

A Justiça autorizou buscas em endereços residenciais e comerciais e determinou medidas de bloqueio patrimonial contra os envolvidos.

Entre as decisões estão o congelamento de contas bancárias e aplicações financeiras e o sequestro de 29 imóveis relacionados aos investigados.

Quatro investigados tiveram prisão determinada

Quatro pessoas apontadas pela investigação como responsáveis por funções de liderança ou operação financeira tiveram a prisão temporária decretada.

Os investigados foram identificados pelas iniciais A.R.B., A.M.S., L.M.A. e R.Y.S.

Conforme a apuração policial, A.R.B. seria uma das principais lideranças da estrutura e teria participação na captação de dinheiro proveniente do tráfico, além de atuar na tentativa de inserir esses valores na economia formal por meio de empresas e imóveis.

A.M.S. também é apontado como integrante de destaque do grupo e teria atuação na movimentação de recursos relacionados à comercialização de drogas em grande escala.

Já L.M.A. é investigado por supostamente exercer a função de operador financeiro, recebendo dinheiro em espécie, realizando sua entrada no sistema bancário e posteriormente redistribuindo os valores.

R.Y.S., por sua vez, seria considerado um homem de confiança de integrantes da organização e teria ligação direta com a área financeira do esquema.

Dois dos quatro investigados com prisão decretada foram localizados nesta quinta-feira. Ambos residiam no mesmo condomínio, no bairro Guilhermina, em Praia Grande.

Outras seis pessoas também aparecem na investigação por possível participação na estrutura.

Movimentação milionária chama atenção dos investigadores

Um dos pontos levantados pela apuração envolve a movimentação financeira incompatível com a renda declarada por algumas das pessoas investigadas.

Em um dos casos, uma mulher ligada a um estabelecimento comercial na Praia Grande teria renda mensal declarada de aproximadamente R$ 3,3 mil, mas, conforme a investigação, movimentou cerca de R$ 51,2 milhões.

Ela teria ligação familiar com um dos investigados apontados como responsáveis pelo grupo e estaria atualmente fora do Brasil.

A Polícia Civil busca identificar a origem, o destino e o caminho percorrido pelos recursos movimentados, além de estabelecer quais bens teriam sido adquiridos com dinheiro de origem ilícita.

Investigação também apura atividades comerciais e possível influência política

Outra linha da operação está concentrada em Praia Grande.

Os investigadores apuram a exploração de quiosques instalados em espaços públicos, possíveis irregularidades envolvendo um procedimento de licitação municipal e a suspeita de apoio ou financiamento destinado a agentes políticos eleitos.

A apuração busca esclarecer se pessoas ligadas ao grupo teriam utilizado terceiros para obter vantagens em atividades comerciais dependentes de autorização do poder público.

A Polícia Civil também analisa eventual tentativa de ampliar a influência da organização criminosa sobre setores do Executivo e do Legislativo municipal.

A Prefeitura de Praia Grande informou que nenhum mandado de busca e apreensão foi cumprido dentro da administração.

De acordo com o município, um policial civil compareceu à prefeitura para solicitar informações referentes a uma licitação destinada à exploração de um quiosque localizado na orla.

A administração afirmou que continuará colaborando com as autoridades.

Em relação a Santana de Parnaíba, não havia, até a divulgação das informações da operação, qualquer indicação oficial de envolvimento da Prefeitura ou de agentes políticos do município nessa frente da investigação.

Por que o nome Helmintos?

A denominação escolhida para a operação faz referência aos helmintos, organismos que vivem de maneira parasitária.

Segundo a Polícia Civil, o nome representa uma analogia à forma como o grupo investigado supostamente utilizava atividades econômicas e comerciais para beneficiar a organização criminosa e interferir no funcionamento regular do mercado.

Durante as buscas, as equipes procuram documentos, contratos, registros bancários, equipamentos eletrônicos, valores em espécie, armas e outros materiais que possam contribuir para o avanço das investigações.

A operação apura possíveis crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

As investigações continuam para identificar novos envolvidos, rastrear o patrimônio associado ao grupo e dimensionar toda a movimentação financeira investigada.

Divulgação: Polícia Civil

Últimas notícias
CAPACITA 300x600 (1)
Notícias relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui