O Museu FAMA, em Itu, recebe a partir de 26 de setembro a exposição “Tarsila: Onde Nascem as Imagens”, dedicada a uma faceta menos conhecida de uma das principais artistas do modernismo brasileiro. A mostra reúne cerca de 45 desenhos e estudos de Tarsila do Amaral, produzidos em diferentes momentos de sua trajetória, entre os anos de 1910 e 1940.
O conjunto faz parte de uma rara coleção formada por 204 trabalhos da artista, pertencente ao fundador do Museu FAMA, Marcos Amaro, que também assina a curadoria da exposição.
Conhecida internacionalmente por pinturas que se tornaram símbolos da arte brasileira, Tarsila também teve no desenho uma importante ferramenta de criação e investigação artística. A exposição busca justamente evidenciar essa produção, apresentando trabalhos que vão além de simples esboços preparatórios.
Segundo Marcos Amaro, a seleção levou em consideração a diversidade temática, as diferentes pesquisas visuais realizadas pela artista e a preservação das obras.
Para o curador, os desenhos possuem valor próprio e permitem compreender com mais profundidade os caminhos percorridos por Tarsila durante seu processo criativo, desde a observação inicial até o desenvolvimento das imagens que posteriormente marcariam sua produção.
Autorretrato e estudo de “Cuca” estão entre os destaques
Entre as obras selecionadas está o único autorretrato realizado por Tarsila do Amaral, datado de 1923. O trabalho, intitulado Estudo de autorretrato de cabelo curto, foi produzido com grafite e crayon sobre papel.
Outro destaque é um estudo relacionado à obra “Cuca”, cuja pintura original integra atualmente o acervo do Musée de Grenoble, na França.
No desenho, aparecem elementos como animais e uma figura indígena que ajudam a revelar o processo de construção de uma das imagens mais representativas da fase em que Tarsila desenvolveu uma linguagem voltada à valorização da identidade brasileira.
A obra “Cuca” também está relacionada ao universo antropofágico da artista, movimento que propunha absorver influências estrangeiras e transformá-las em uma expressão artística própria, marcada pela cultura, pelas cores, pela fauna, pela flora e pelo imaginário brasileiro.
Paisagens, personagens e projetos que nunca chegaram aos palcos
A exposição apresenta ainda paisagens, figuras humanas, estudos arquitetônicos, cenas do cotidiano, composições imaginárias e projetos relacionados ao teatro.

Entre os trabalhos estão desenhos de personagens criados para uma peça teatral idealizada por Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, mas que nunca chegou a ser realizada.
Os estudos permitem observar a capacidade da artista de experimentar diferentes linguagens, trabalhando gestos, expressões e personagens por meio de traços sintéticos e inventivos.
Para a curadoria, esse conjunto ajuda a demonstrar que o desenho ocupou espaço central na trajetória de Tarsila, funcionando como um campo de experimentação, descoberta e liberdade criativa.
Coleção ficou décadas longe do público
Parte da importância histórica do acervo está também em sua trajetória.
Os desenhos chegaram a ser apresentados em uma exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), em 1969. Depois disso, segundo Marcos Amaro, permaneceram durante muitos anos sob posse de um colecionador, sem acesso público.
De acordo com o curador, as obras teriam permanecido guardadas durante décadas e sequer foram disponibilizadas para inclusão no catálogo raisonné da artista, publicação responsável por reunir e documentar sua produção.
Agora, os trabalhos voltam a ser apresentados ao público em Itu, permitindo uma leitura mais ampla da produção de Tarsila e mostrando como muitas de suas imagens nasceram primeiro no papel.
O projeto foi realizado com recursos do ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.
Serviço
Exposição: Tarsila: Onde Nascem as Imagens
Local: Museu FAMA – Itu
Abertura: 26 de setembro, às 12h
Endereço: Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9 – Vila São Francisco – Itu/SP
Visitação:
Quintas-feiras, com entrada gratuita, e de sexta-feira a domingo, das 11h às 17h.
Ingresso:
R$ 40 para acesso aos setores específicos. Crianças de até 10 anos e pessoas com mais de 60 anos têm entrada gratuita.
O bilhete único também permite acesso ao Museu FAMA, Museu Asas de Um Sonho e às demais áreas expositivas do Centro Cultural.
O Ateliê do Kobra não está incluído no ingresso único e possui cobrança separada.
















