Entre as necessidades enfrentadas diariamente pela população e a entrega de soluções concretas existe um caminho que passa por planejamento, projetos, recursos públicos e decisões políticas. É a partir dessa relação que Vinicius Marchese, engenheiro de Telecomunicações e candidato a deputado federal por São Paulo, defende uma maior aproximação entre a experiência técnica da engenharia e os espaços onde são definidas as prioridades públicas.
Enchentes, congestionamentos, transporte público demorado, falta de saneamento e problemas de infraestrutura fazem parte da realidade de diferentes municípios. Para Marchese, embora essas situações sejam percebidas pela população no cotidiano, as respostas começam muito antes da execução de uma obra.
Na avaliação do engenheiro, é necessário diagnosticar corretamente cada problema, elaborar projetos, estabelecer prioridades e garantir condições para que as soluções possam sair do papel.

“A política determina prioridades. Decide onde o poder público deve investir, quais demandas enfrentar primeiro e que modelo de cidade, infraestrutura e desenvolvimento uma liderança pretende construir. A engenharia trabalha para transformar parte dessas escolhas em soluções viáveis, seguras e duradouras”, afirma.
Recursos sem projetos também representam oportunidades perdidas
Ao longo de sua trajetória profissional, Vinicius Marchese afirma ter conhecido municípios de diferentes portes e realidades e identificado um desafio recorrente: nem sempre a falta de dinheiro é o principal entrave para que uma necessidade seja atendida.
Em determinadas situações, segundo ele, existem recursos disponíveis, mas faltam projetos tecnicamente estruturados. Em outras, há propostas consideradas importantes, porém sem o desenvolvimento necessário para que possam se transformar efetivamente em investimentos.
Há ainda casos em que obras são executadas sem planejamento suficiente e, depois de alguns anos, os mesmos problemas voltam a atingir a população.
Esse cenário, na visão de Marchese, gera custos para o poder público e para os cidadãos. Uma obra que precisa ser refeita, um município que deixa de acessar recursos por não possuir um projeto adequado ou uma cidade que cresce sem estruturar previamente sua mobilidade são exemplos desse impacto.
Para ele, um dos desafios da administração pública brasileira está justamente em fortalecer sua capacidade de planejamento de médio e longo prazo.
Mudanças climáticas ampliam necessidade de prevenção
O debate ganha ainda mais importância diante de questões que devem marcar as próximas décadas. Universalização do saneamento, modernização da infraestrutura, mobilidade urbana, conectividade, novas tecnologias e adaptação das cidades às mudanças climáticas estão entre os temas citados por Marchese.
Na área climática, ele ressalta que a resposta do poder público não deve ocorrer somente depois das emergências.
Após uma forte tempestade, por exemplo, é necessário recuperar estradas, pontes e outros equipamentos públicos, além de prestar atendimento às famílias atingidas. Entretanto, Marchese defende que cidades mais preparadas precisam investir também na prevenção.
Isso passa pelo mapeamento das áreas de risco, dimensionamento adequado dos sistemas de drenagem, planejamento da ocupação urbana, avaliação da infraestrutura existente e antecipação de possíveis cenários.
“Prevenção não produz necessariamente uma imagem tão impactante quanto uma obra inaugurada, mas frequentemente economiza recursos e, o mais importante, protege vidas”, destaca.
Técnica não substitui decisões políticas
Apesar de defender uma participação maior do conhecimento técnico na formulação de políticas públicas, Marchese ressalta que engenharia e política possuem funções diferentes.
Segundo ele, cálculos, projetos e estudos não definem sozinhos quais devem ser as prioridades de uma sociedade. A destinação dos recursos públicos envolve escolhas políticas e precisa considerar as demandas sociais, as desigualdades, a representação da população e o interesse coletivo.
Nesse contexto, a engenharia teria o papel de contribuir para qualificar essas decisões e oferecer condições técnicas para que as prioridades estabelecidas possam resultar em projetos executáveis.
“A técnica não substitui a política. Ela pode qualificá-la”, afirma.
Marchese considera que a presença de profissionais familiarizados com temas como infraestrutura, energia, tecnologia, conectividade, cidades e adaptação climática pode contribuir nos espaços onde recursos e prioridades são definidos.
Experiência à frente do sistema Confea/Crea
A visão defendida por Vinicius Marchese também está relacionada à experiência acumulada durante sua atuação no sistema Confea/Crea.
Ao percorrer municípios paulistas, manter contato com profissionais, gestores públicos e diferentes realidades locais, ele afirma ter observado dificuldades semelhantes em diversas cidades: transformar uma demanda da população em projeto, conectar esse projeto aos recursos disponíveis e, posteriormente, garantir sua execução.
“Em muitas delas encontrei a mesma dificuldade para fazer a ponte entre a necessidade da população, o projeto tecnicamente viável, o recurso disponível e a decisão pública. É nessa ponte que acredito poder contribuir”, diz.

A experiência profissional, segundo Marchese, está diretamente ligada à decisão de disputar uma vaga de deputado federal por São Paulo.
Ele afirma que sua proposta não parte da ideia de que a engenharia seja capaz de resolver, isoladamente, todos os problemas públicos, mas da aplicação de princípios que fizeram parte de sua trajetória profissional: compreender os problemas antes de enfrentá-los, planejar as soluções antes da execução e avaliar os resultados após a entrega.
Da intenção à execução
Para Marchese, boas intenções são importantes na vida pública, mas precisam estar acompanhadas de condições para produzir resultados concretos.
“Boa intenção não sustenta uma ponte, não universaliza o saneamento, não reduz o tempo perdido no transporte e não prepara uma cidade para a próxima tempestade. Para transformar intenção em resultado são necessários planejamento, projeto, recursos e execução”, afirma.
É justamente nesse ponto que, segundo o candidato, engenharia e política se encontram: enquanto uma oferece instrumentos para desenvolver soluções, a outra estabelece prioridades e define como os recursos públicos serão utilizados.
Vinicius Marchese é candidato a deputado federal por São Paulo, engenheiro de Telecomunicações, presidente licenciado do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e doutorando em Cidades Inteligentes e Sustentáveis.











