A procura pelo médico somente quando surge uma dor, um desconforto ou alguma alteração ainda é um comportamento frequente entre os homens. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostram que 46% dos entrevistados com mais de 40 anos só buscam atendimento quando sentem algum sintoma.
O levantamento também revela que apenas 32% dos participantes se consideram muito preocupados com a própria saúde. Os números reforçam a importância de incorporar consultas preventivas à rotina, principalmente porque diversas doenças podem se desenvolver de maneira silenciosa durante anos.
Entre as preocupações dos entrevistados, o câncer de próstata aparece em primeiro lugar entre as doenças urológicas que mais causam medo, citado por 58% dos participantes. A impotência sexual aparece na sequência, com 37%.
Apesar da atenção normalmente direcionada à próstata, a saúde masculina envolve uma avaliação muito mais ampla. Doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, obesidade e questões relacionadas às saúdes sexual, urinária e mental também precisam ser acompanhadas.
Ausência de sintomas não significa ausência de doença
O médico clínico-geral Dr. Dante Hideo Uemura, do Hospital Municipal de Itu, gerenciado pelo Grupo Chavantes, chama a atenção para uma percepção ainda comum: acreditar que, por não apresentar sintomas, o organismo necessariamente está saudável.
“Algumas doenças, como hipertensão, diabetes e alterações do colesterol, podem evoluir durante muito tempo sem manifestações perceptíveis. Quando o paciente mantém uma rotina de consultas, é possível identificar esses fatores de risco antes que provoquem complicações”, explica.
É justamente nesse ponto que o check-up periódico ganha importância. A avaliação começa pelo histórico pessoal e familiar do paciente e pode incluir a verificação da pressão arterial, peso, glicemia e colesterol.
A consulta também é uma oportunidade para abordar aspectos da rotina que interferem diretamente na saúde, como alimentação, prática de exercícios físicos, sono, vacinação e consumo de álcool e tabaco.
Os exames necessários não são iguais para todos. A definição deve considerar idade, histórico familiar, condições preexistentes e fatores de risco individuais.
“O check-up não deve ser entendido apenas como uma bateria de exames. A conversa com o paciente ajuda a conhecer sua rotina, reconhecer comportamentos que podem afetar o organismo e estabelecer os cuidados necessários. Por isso, as recomendações precisam ser individualizadas”, afirma o especialista.
Prevenção também acontece fora do consultório
Além do acompanhamento médico, hábitos cotidianos têm papel importante na prevenção de doenças e na construção de um envelhecimento mais saudável.
Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso, não fumar, adotar práticas sexuais seguras e cuidar da saúde mental estão entre as medidas que contribuem para diminuir diferentes fatores de risco.
Os próprios dados da SBU demonstram que a relação dos homens com os serviços de saúde muda com o passar dos anos. Entre aqueles de 40 a 44 anos, 49% afirmaram procurar atendimento somente quando sentem algum problema.
O cenário é diferente entre os homens acima dos 60 anos: 78% disseram realizar exames a cada seis meses ou pelo menos uma vez por ano.
Nessa faixa etária, a hipertensão foi o problema de saúde mais mencionado, com 40% das respostas. O sedentarismo apareceu em 18%.
Para o médico, a maior presença dos homens mais velhos nos consultórios pode estar associada ao aparecimento de diagnósticos e de alterações relacionadas ao próprio processo de envelhecimento. A recomendação, entretanto, é iniciar esse acompanhamento antes.
“À medida que envelhecem e começam a conviver com problemas de saúde, muitos homens passam a procurar o médico com maior frequência. O ideal é que esse cuidado comece antes, mesmo quando a pessoa se sente bem. A avaliação anual permite acompanhar mudanças ao longo do tempo, corrigir fatores de risco e chegar às fases mais avançadas da vida com mais saúde, autonomia e qualidade de vida”, ressalta.
Sobre o Grupo Chavantes
A Organização Social de Saúde (OSS) Grupo Chavantes gerencia 35 projetos distribuídos por seis estados brasileiros, posicionando-se como a oitava maior entidade do setor no país, com uma gestão anual de aproximadamente R$ 720 milhões.











