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Comissão de Ética dá continuidade à apuração contra vereador de Votorantim

Parlamentar é investigado após comentário direcionado a um estagiário com deficiência durante sessão da Câmara; processo seguirá com fase de instrução.

A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Votorantim decidiu, por unanimidade, dar sequência ao procedimento que apura a conduta do vereador Fernando Fernandes (PP). A decisão foi tomada durante reunião do colegiado, que também definiu o vereador Roberto França (PL) como relator do caso.

Participaram da votação os vereadores Luciano Camps (Republicanos), Gaguinho (DEM), Roberto França (PL), Diego da Padaria (Podemos) e Lu Ferrari (PT), todos favoráveis ao prosseguimento da investigação.

A apuração teve início após uma manifestação registrada na Ouvidoria da Câmara por um estagiário da Casa, que é pessoa com deficiência (PCD). O episódio ocorreu durante a 21ª Sessão Ordinária, realizada em 23 de junho.

De acordo com o relato apresentado, o vereador teria se dirigido ao servidor durante a sessão com a frase: “Capricha aí, hein? Senão vai tudo torto para a Gazeta, hein, rapaz. Tô cansado já. Capricha aí.”

O comentário aconteceu enquanto era discutida uma homenagem a um atleta paralímpico. Para a Comissão de Ética, embora a expressão possa ter sido direcionada ao trabalho de registro fotográfico realizado pelo estagiário, será analisado se o contexto da fala configura eventual conduta capacitista ou violação aos princípios previstos no Código de Ética da Câmara, como o respeito à dignidade da pessoa humana, à inclusão e à diversidade.

Segundo o colegiado, os elementos reunidos até o momento justificam o aprofundamento da investigação. Nesta etapa, serão analisadas as circunstâncias do caso, assegurando ao vereador o direito ao contraditório e à ampla defesa antes de qualquer conclusão.

O procedimento foi instaurado após o estagiário informar que interpretou a manifestação como uma referência à sua condição física. O servidor possui atrofia em um dos braços e afirmou ter se sentido constrangido com a fala feita em plenário.

Quando a investigação foi aberta, a presidente da Comissão de Ética, vereadora Lu Ferrari, ressaltou que a instauração do procedimento não representa julgamento antecipado nem reconhecimento de culpa, mas apenas o início da apuração dos fatos.

Foto/ Reprodução

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