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Daniele Salvaia amplia trabalho de reabilitação de pacientes oncológicos na ONG Mais Vida, em Itu

Especialista em oncologia utiliza técnicas voltadas ao controle da dor e recuperação da mobilidade e passa a conduzir também atividades de Pilates na entidade

O avanço dos tratamentos contra o câncer tem aumentado as possibilidades de recuperação e sobrevida dos pacientes, mas também chama a atenção para uma etapa que não termina necessariamente com o tratamento da doença: o cuidado com as sequelas físicas e os impactos que podem permanecer após cirurgias, quimioterapia e radioterapia.

Em Itu, esse trabalho faz parte da atuação da fisioterapeuta Daniele Salvaia, especialista em oncologia, com formação em dor pela Faculdade de Medicina da USP e pioneira na utilização da técnica de Dry Needling na oncologia. A profissional atua junto à ONG Mais Vida, além de realizar atendimentos particulares.

A necessidade de ampliar a atenção à reabilitação ganha ainda mais relevância diante das projeções para os próximos anos. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para um cenário de crescimento dos diagnósticos da doença no Brasil, o que também aumenta a importância do acompanhamento multidisciplinar durante e depois do tratamento.

Nesse processo, a fisioterapia pode contribuir para recuperar movimentos, reduzir limitações e, em determinados casos, ajudar o paciente a reconquistar sua independência nas atividades do cotidiano.

“Para reabilitar pacientes, tanto no pós-operatório ou com dor crônica, é possível utilizar técnicas como o Dry Needling, terapia por ondas de choque e laserterapia, obtendo resultados significativos já na primeira intervenção”, explica Daniele.

Escuta do paciente faz parte do tratamento

Antes da definição das técnicas que serão utilizadas, Daniele destaca a importância de compreender aquilo que cada paciente enfrenta.

“Conhecer e compreender o que o paciente está sentindo por meio da escuta é o primeiro passo para obter um bom resultado do trabalho. A partir do relato do paciente traçamos o que será realizado e qual a melhor abordagem”, afirma.

Com pacientes vivendo por períodos cada vez maiores após o diagnóstico de câncer, surgem também desafios relacionados à dor, fadiga, mobilidade, limitações físicas e qualidade de vida. É nesse contexto que a fisioterapia especializada pode integrar o processo de recuperação.

De acordo com Daniele, as diferentes técnicas possuem mecanismos próprios e podem ser utilizadas conforme as necessidades identificadas em cada caso.

“As técnicas, cada qual com seu mecanismo neurofisiológico, têm o objetivo de minimizar as dores, regenerar tecidos, promover a mobilidade articular que pode ser comprometida com as cirurgias, além de prevenir diversas sequelas do tratamento oncológico”, esclarece.

Recuperação da mobilidade

Jéssica Vanessa de Castro Vieira está entre as pacientes atendidas pela fisioterapeuta e relata que chegou ao tratamento apresentando importantes limitações de movimento após uma cirurgia para retirada da tireoide.

“Quando cheguei até a Daniele para os atendimentos, eu não conseguia nem mesmo virar o pescoço, devido a uma cirurgia de remoção da tireoide. Eu estava com encurtamento no ombro, com o movimento limitado e todo o atendimento prestado foi com acolhimento incrível e, após algumas intervenções, os movimentos foram recuperados”, conta.

No atendimento, foram empregadas técnicas como Dry Needling, terapia por ondas de choque e laserterapia.

Para Daniele, as sequelas decorrentes do câncer ou de seu tratamento não devem ser simplesmente incorporadas à rotina do paciente sem que sejam avaliadas possibilidades de intervenção.

“Ainda que saibamos que a cura da doença seja o primordial, muitos tratamentos deixam sequelas físicas e emocionais. Conviver diariamente com isso traz impacto negativo na vida desses pacientes. A frase ‘é assim mesmo’ diante de uma sequela sem a promoção da intervenção adequada é negligência, omissão de cuidado e inércia clínica. É papel de toda equipe acolher, cuidar e mitigar essas sequelas”, afirma.

ONG Mais Vida ganha sala de Pilates

A atuação de Daniele junto à ONG Mais Vida ganhou uma nova frente nesta semana. Na quinta-feira (27), a entidade inaugurou uma sala destinada à prática de Pilates para seus assistidos.

A iniciativa nasceu de uma sugestão feita por uma das pessoas atendidas pela ONG. A partir da ideia, apoiadores e parceiros foram mobilizados para viabilizar a implantação do espaço.

Com a estrutura começando a tomar forma, surgiu também a necessidade de um profissional preparado para conduzir as atividades. Daniele buscou especialização na modalidade e será responsável por orientar os frequentadores da ONG durante as aulas.

“O Pilates é uma modalidade fantástica, pois trabalha o corpo e a mente e, quando o projeto foi sugerido, pensei que fazia todo sentido aplicá-lo, pois ajuda na recuperação da musculatura pós-quimioterapia, radioterapia e no pós-operatório”, explica.

A própria comunidade também teve participação importante para que o projeto saísse do papel. Parte dos equipamentos utilizados na sala foi doada por um estúdio de Pilates de Itu. Os demais foram adquiridos por meio de recursos arrecadados em um bingo solidário e com colaborações da sociedade.

A nova estrutura amplia as possibilidades de acompanhamento oferecidas pela ONG Mais Vida e acrescenta mais uma ferramenta ao trabalho de recuperação e qualidade de vida desenvolvido com os assistidos.

Experiência na oncologia também virou livro

A convivência com pacientes e as histórias acompanhadas ao longo da trajetória profissional levaram Daniele Salvaia também à literatura.

Em 2022, ela lançou o livro “No Caminho da Transformação”, reunindo histórias de enfrentamento, superação e mudanças vividas por pessoas que receberam o diagnóstico de câncer e passaram pelo tratamento da doença.

A obra surgiu das experiências acumuladas durante os atendimentos e das conversas estabelecidas com os pacientes ao longo dos anos.

Os relatos reforçam uma característica presente no trabalho da fisioterapeuta: a compreensão de que a assistência oncológica envolve conhecimento técnico, mas também exige escuta, empatia e atenção aos impactos que a doença pode provocar em diferentes aspectos da vida.

Formação para profissionais

Além do atendimento a pacientes e da atuação na ONG Mais Vida, Daniele também trabalha na capacitação de profissionais interessados em ampliar os conhecimentos no cuidado de pessoas com câncer e pacientes que convivem com dores crônicas.

Nas formações, a fisioterapeuta aborda o desenvolvimento do raciocínio clínico necessário para avaliar cada caso e definir a abordagem terapêutica mais adequada, utilizando técnicas como Dry Needling, terapia por ondas de choque e laserterapia de maneira integrada, segura e baseada em evidências.

Uma nova turma será realizada nos dias 19 e 20 de setembro, em Itu.

A proposta da formação é preparar profissionais para ampliar sua atuação na fisioterapia oncológica e no manejo de diferentes tipos de dores musculoesqueléticas.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo Instagram https://www.instagram.com/danielesalvaia.fisio/

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